sábado, 10 de janeiro de 2015

miau




google imagens



escorre-me no canto da boca
esse calor

passo a mão e espalho
a lambuzar-me

 com a língua a se contorcer
 toco o canto da boca

e solvo a sua última gota.


Karinne Santiago



quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Diário em Devaneio Noturno



tumbrl


Aperta-me.  As mãos espalmadas e os dedos afastados preenchem as distâncias com minhas carnes. E tinge de vermelho a maciez alva. Amontoa minhas coxas sob as linhas da sua vida ao imitar fertilidade contra o quase ventre. Os quatro lábios da mesma boca desfazem o silêncio. Respondem as mucosas de forma líquida às investidas dos dez desbravadores. As fibras. Os músculos desfeitos escondem-se por trás do volume. Repetidos caminhos e descaminhos. Um destino desorientado de tramas. É quente o vigor do desejo. Revira as mãos. As unhas passeiam pelo corpo. Mostra-me o lado oposto. Suavemente arranha-me. Demarca posse enquanto tremores relutam brechas. Sinto os pelos. Confundem-se fios. Suas digitais me agridem. Risca linhas pálidas e ardidas. Crava seu ímpeto. Abre-me. Afasta as coxas. Observa o meu sexo. O desenho feminino do prazer. Aproxima uma das mãos. Toca indelicadamente meus pelos. Acaricia-os. Adorna os dedos com os castanhos. Prende os fios entre os dedos. Afaga. Aponta o indicador no início da minha brecha. Sinto aquela porção mínima de você em contraste com todo meu corpo exposto. Aguça. Afunda o dedo entre os grandes lábios e o escorrega em toda sua dimensão. Do início. Um córrego para depois um abismo. Fita a umidade. Meu sexo lateja. É uma súplica visual e olfativa. Toca-me os pequenos lábios. Ainda mais inchados e rubros. Flama a libido. O clitóris imperativo do prazer ergue-se majestoso. Estremeço durante a espera. Dai a carne o que é da carne, poderia ser dito. Ou dai a mucosa, o que é mucosa. E tua língua propõe saliva. Inunda-me como num barco em naufrágio. Arqueia ondas. Escorrego sobre suas papilas. Líquida. Viscosa e aveludada. Sinto a ponta de o seu nariz respirar-me. O prazer liquefeito é o ornamento. E a língua confessa segredos entre reviravoltas. Comprime sua gula à minha fome. Agarro seus cabelos tentando conter-lhe. Tola. Destas impossibilidades o corpo rejeita e se instiga. Avança como um animal selvagem. A língua se alarga e vasculha. Comprime. Suga. E se encaminha insinuante até o abrigo. Abrigo. Abismo. Caverna. Abrigo. Lança-me destemida. Fundo. Outra vez. Mais fundo. Traz a minha intimidade molhada. Absorve. Absolve-me. Reluto. Absorve. Estala. Absorve. Segura minhas ancas. Não sei se bailo ou me contorço. Estremeço e lhe confronto. Sei que o quadril dá voltas num mesmo lugar. Sei que meus seios túrgidos apontam libertinagens. Sei que a boca seca dissonante engole o ar com mais frequência que as narinas e todo resto acompanha o deserto. Há uma música milenar. Os sumos. As mucosas. Os gemidos abafados. As respirações. Dança a língua. Suborna a língua. Imita a língua os movimentos que seriam do seu sexo no meu. Sabe bem desconfiar da fonte. Junta com as duas mãos o monte. Rasteia os dedos desta vez como serpentes. Língua, dedos e o meu ventre deságua em sua boca. Misturam-se paraísos. Regressamos, Adão e Eva.

Karinne Santiago.