sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Crônica para muito além do Alentejo III

Google Imagens

Apesar de tanta sede tens a ancestralidade das correntezas. Lábios de barcos à deriva. Uma língua que desmistifica sereias. Ouvidos selados contra arroubos. Corpo atado ao mastro. Têm tantas partidas tais quais frestas de sol contra o assoalho gasto. Das sombras, veias crepitam na pele tatuando sais.

Karinne Santiago 

Crônica para muito além do Alentejo II

Rui Serra


Ele dispara palavras como areia na ampulheta. Cada sílaba escorre para dentro de mim traçando mapas imaginários. O gosto de maresia confessa lonjuras. Absorvo pôr do sol e gaivotas. O mar ecoa nele como se o coração fosse uma pequena concha guardada no peito. Seus gestos de marinheiro apontam para minhas ilhas desertas. Finca bandeira. Crava seus dentes em meu ombro. Deixa-me seu brasão.

Karinne Santiago 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Amo-te, Davi!

Para minha metade anjo, ao meu filho Davi. 
De um amor sem limite e distância. 
Tal como deve ser o amor...







Amo-te
E como não hei de amá-lo? 

Teus olhos viram-me por dentro
Teus ouvidos ouviram-me por dentro 
Tuas mãos tocaram-me por dentro 
Tua pele sentiu-me por dentro 

E este côncavo amor 
Fez-me inteira 
Fez-me mãe 

Amo-te 
E como não hei de amá-lo? 


Karinne Santiago 



* E a poesia fez coração...

domingo, 23 de novembro de 2014

Crônica para muito além do Alentejo



Ele chega e deita-me oceanos. Fala-me em língua familiar e distante. Suavemente inspira ondas. Ele tem olhos de faróis e boca de sal. Tem os passos desfeitos pelas espumas. Reserva o passado conforme porto. Cataloga estrelas do céu e compara com as marinhas. Intitula de sonhos acontecidos e por esta feita, se tornam mortais. Ele não tem horas. Ele é além do tempo. Entoa canções e confunde as de amor com ninar. Ele carrega uma saudade de algo não encontrado. Não sabe nomeá-la. Ele pisca lento contra o vento. Tem palmas alvas e macias. Confundo-as.



Karinne Santiago