sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sobre aquilo que não nos resta

Mira Nedyalkova


Há ausências tão permanentes
que me faltam cadeiras

Há ausências tão presentes
que me faltam conversas 

Há ausências tão estranhas
que me faltam espelhos. 


Karinne Santiago.

Ata-me

Mira Nedyalkova














Ata-me
Forja em minha pele permanência
Como quem compreende dos nós o laço

Ata-me
Dobra-me sobre suas esperas
Deixe frouxo por sofreguidão a trama

Ata-me
Curva as pontas que sonham infinitas
E que se confundam seu olhar e a fita.

Karinne Santiago.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Ausências



Mira Nedyalkova








Pois sempre fui de ausências
De muitas partidas e despedidas
Por vezes, porto
Noutras, nado.

Karinne Santiago.

Ancora-me o desejo


Mira Nedyalkova



Quero que sua boca desminta
a limosidade depositada por lagos rasos

Que tua língua com herança dos navegantes
lance-me tempestades e tormentas

Até que reste sobre meu corpo a salinidade de tuas águas.

Karinne Santiago


Precisava de um coração lusitano para conVersar tão lindamente com esta poesia. E meu poeta mais que querido me deu este presente:




CONTOS LARGOS, CONTOS VELHOS

Até que reste sobre teu corpo, das minhas águas a salinidade
sem que minha boca desminta dos lagos rasos a luminosidade
ficarás sempre ancorada no desejo
porque a minha língua tem em si a herança dos navegantes
quando te lança em tormentas e tempestades semelhantes
e no fervor e na emoção de longo beijo

São contos largos, contos velhos e tão vividos
de sentimentos tão intensos e sempre cumpridos
que reflectem tantos dos nossos momentos de glória
aqueles em que se perde e se acha a poesia
mesmo trazendo em si, a verdade ou a fantasia
mas que desta forma linda, nos não saem da memória

Joaquim Vale Cruz



OBRIGADA!!!