domingo, 1 de junho de 2014

Chegastes. E antes que pudesse resolver em qual cômodo habitaria já partia. Era esse algo incomum que não sabia dizer o nome. Seus olhos são olhos de partida. Como quem antes de comprar a passagem de ida antecipa a volta. O destino, seu moço, era a despedida.



Inventávamos poemas como cartas. Escrevíamos em verso sobre o desejo que não ousávamos confidenciar. Achávamos bonito. Convidávamos poetas ou vestíamos a fantasia destes. Melhor, convidávamos nossas fantasias a serem livres nas letras dos poetas. Era uma graça, seu moço.




Seu moço, repare. Hoje seu nome é personagem. Não enrugue a tez. Não se engasture. Não, não carece. É assim para quem lida com a escrita. Escrever é como rosário. Estou rezando por nós.



Karinne Santiago.



A textura do desejo



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I

O arrepio explicita vontades
Logo o rubor dissolve-se em suores

Jocosos segredos
Escorrem-nos entre as carnes

A rigidez abre fendas
Montes denunciam caminhos

Tremores nos prendem
Ou dilatam
Libertam os lábios

Primeiros, altos
Posteriores, flores.

II

A secura dos lábios
Contrasta o lençol

Descreve a volúpia
Entre a sede e a seda

Trama a renda dos corpos
Tece fios, não só deleites...

III

Sobre os castanhos descansam gris
Perturbando-me águas

Entre gris certa mucosa de castanhos
Romã ou pagã

Aromas e hálitos
Elevam-nos.

Karinne Santiago.

Catrin Welz Stein

Quando romper o coração
Verás quantas distâncias
Tinha como pulso

Vieses onde passeavam ausências
Prolongavam no corpo
 Caminhos fantasmas.

Karinne Santiago