domingo, 5 de janeiro de 2014






Não descanse sobre meus braços esta ausência
Em breve, hei de acostumar-me a ela
E desta feita
Todo aceno, será um afago

Irei enamorar-me do vazio
Daquela sombra posta sobre minha mão
Antes da sua partida.


Karinne Santiago

nunca dantes navegada VII

Jill Saitta

todo corpo é uma represa
de águas bravias e tormentas

são maremotos, estes impulsos
enquanto o sal enferruja as extremidades

lentamente corrói em ocre
amarelo e o vermelho do escárnio

das lágrimas, arrebentação
sou a imensidão em explosão

me lanço ao infinito
em partículas aos milhares

daí me liberto como várias
desde a estrela do mar
até o brilho translúcido da sede.

Karinne Santiago.

nunca dantes navegada VI

Jill Saitta


Por que tenho que ser exata?

Como pedra cheia de limo
Ou o porto sem oscilações

Descubro-me em minhas tormentas
Envaideço-me e depois me esqueço

Sou diante de mim a descontinuidade
Assim como as ondas

Posso ser das águas toda poça
Talvez, um fosso
De tão profunda e íntima de mim.


Karinne Santiago.