terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Crônica para muito além do Alentejo V


al-Farrob

Bate com a lateral do sapato no degrau da porta. Retira o excesso de areia, mas não as pegadas. Entra pela sala. O cheiro de mar inunda a casa. Tudo fica mais quente. Tem o sol no dourado das raízes dos cabelos que iniciam a testa, mas todo o resto é negro como água sem farol.  Tem a roupa de linho. Tem o couro a equilibrar a cintura. E os olhos que não desvendo, pois rápido me afogo. Quando se aproxima, ali, onde orquestro fomes, desampara a língua como se repleta de limo invadisse a fonte. Agita-se como peixe sem água e o peito a arfar.

Karinne Santiago 

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