terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Crônica para muito além do Alentejo IV


Google Imagens

A água se avoluma. Cria sua condição de transpor. Condição de abismo. Em movimentos vistos agiganta-se e corre. Desliza entre o céu e a areia. Arrasta consigo milhares. Inventa uma grinalda rendada que arqueia na ponta do caracol. Flutua plena. Nota a precipitação e prestes a lançar-se ecoa um canto que parecia esquecido. Um eco profundo de vozes de presságios e acenos.  Aceita. E lambe a praia lenta e faceira. Desfaz a forma. Resiste em permanecer água. Sente-se afundar. Desaparecer. Deixa a sombra, o contorno. Seca a brancura em bolhas estouradas com preguiça pelo vento. E o mar converge. Ajeita-se majestoso. Toma o que sobrou de água. Recolhe-as como se tivesse um ventre e prepara o nado. É assim que me chegas... 

Karinne Santiago

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vamos poeticar?!