sábado, 3 de agosto de 2013

Meu beijo tem esse quê tonto...

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Em contato com seus lábios minha língua conversa em alma com a sua. E nos vemos no nosso melhor ângulo. É o sentido que nos envolve como alvos que se completam. Solvemos encantos pelo céu da boca e assim subtraímos paraísos. 

Karinne Santiago


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Esse solo árido carcomido sem comoção ou sem nenhum tipo de zelo. Quem sabe alguma poeira repercute por todas as rachaduras no último abraço do vento? As entranhas da terra são viúvas sem rezas e véus. Nesse chão não há o que esconder. As fendas são abismos. São as rugas do abandono onde exaspera a esperança. Ruir é a cantoria da areia. Terreno sem dono e nem pátria apenas crava vertigem nos olhos desavisados. Oásis infértil logo finge romance entre os espinhos dos cactos. Um mandacaru teimoso achando da sombra companhia faz daquele vulto ilusão que sossega seu ardor de todo dia. E daí, alguma nuvem que lhe corte o caminho o faça pensar confuso, tal como ave. Um carcará, bicho solitário, rebatiza no corpo a fome e com suas asas expia de longe a presa. Experientes olhos em procissão rastreiam almas que não distinguem seus algozes dos adivinhos sagrados. Há um sangue que chora conforme a terra se rasga. São as digitais de uma gente perfurada desde cedo pelos lábios em sede até a cova rasa que lhe aguarda. 


Karinne Santiago