sexta-feira, 14 de junho de 2013

Quando avistei
Ao longe o mar
Ali fiquei
Parada a olhar 

Quando avistei
Ao longe o mar
Sem querer deixei-me
Ali ficar 

Ao Longe o Mar, Madredeus 

Brooke Shaden

quando calo
peço que fique
e sente-se
é o meu discurso mais ferido

os lábios em traço

cantam a mágoa ou o medo
numa defesa ao inverso

a voz contida
soa em lágrimas
frase por frase
transfigurando na face
sílabas soltas em perda

se encostares
a mão em meu peito
ouvirás de quantos males em silêncio
se faz o meu mar

Karinne Santiago






palma aberta

 Brooke Shaden





a ponta do dedo
nas linhas da vida
reescrevendo meu destino

e nos inventa
desenhando nosso sempre

um balé de acasos
em minhas curvas
e o silêncio que nos respira





Karinne Santiago

terça-feira, 11 de junho de 2013



Google Imagens


amo
como quem ceiva o trigo
na espera do pão
ao acaso do tempo

amo 
como quem unta a superfície
e retira excessos entre os dedos
sem desperdício da massa

amo
como quem admira os estalidos 

e a madeira que logo flama o aroma
abraçando o ar

amo
como quem gera
e lentamente saciada
compreende-se artesã.

Karinne Santiago