sexta-feira, 1 de março de 2013

Invento Calendário



Chagall




Chamo de saudade a espera. E o inverso também me toma
Espanta-me sua exatidão. Tanto quanto, permanência.
Em registro comprovado. Ralha-me a certidão aos olhos
Reinventando-me risos e distrações. Inaugural sua.

Levo a mão ao peito. Como a poder tocar-lhe
Dando ancestralidade ao amor. Assim, eternidades
Repenso inconcluso. Aos tantos invoco meus quereres
E repito como clausura ao amar-te. Todos os sins!


Karinne Santiago

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013


"Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver.

23 anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse e foi assim:"



Fonte: Revista Ellenismos

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

não sei explicar...


Tanto a chuva me pesa. Que goteio cansada
A alma se desmanchando. O cheiro da telha
Volto ao barro. Escorro pela parede.
Volto ao barro. O mais cíclico existir.

Chuva é coisa de Deus, dizem. Por que me sinto triste?
Abro a boca na tempestade. Quem sabe lavo a alma...


Karinne Santiago



domingo, 24 de fevereiro de 2013

coisas nossas...





Gargalhamos, noutras choramos. Sua mão pousada na minha solidão.
Cálculo estranho. Esse nosso um mais um igual ao infinito
Dançamos olhos nos olhos. E assinamos juras. Ai, Preto, da sua Pretinha.

Parece um poema de amor que li. Mas esqueci.
Estava pronta para dizer. O Quintana falou da gente.
Já estávamos escrito.

Karinne Santiago.



Sur Mon Coeur

J'ai écrit ce poème
Sur le Mur
Juste à derrière notre lit
Et murmure ça ne lis pas le fort
Et quand tu a besoin
Je vais chanter pour toi
Je vais chanter avec âme
Et te regarder au choir sur mon coeur
Si je me voyage
Si je ne suis pas ici
Par sourir pour toi
Ouvrir la fenêtre
Le lit à la lune
Qui je te écouterai
Sur mon coeur



Um convite

Chagall





Seus segredos. Nas pontas dos dedos
A pedir silêncio. Ai, como calar a vida
Quando tudo que é dito, por vezes, já é mal entendido?

Entre o estático espanto. Revoadas de penas
Atrevem graça. E o tempo nos rouba romance.
Quiçá estejam surdos bicos e asas?

As palavras caminham em mim. Sob licença do sol
Tecem amarelos no inverso da sombra. Aquecem.
Não confortam. A ausência é bem mais presente
E permanece como convite. Que não fala mas repete.


Karinne Santiago.