quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

terça-feira, 15 de janeiro de 2013


Para Edilberto Djuba Pires




malabares na linha do trem
pés no trilho feito vagão
dança o menino na linha

és o destino na curvatura
do ferro, da fumaça ou pipa

desconhece o atalho
apenas sonha passarinho

e assovia um canto miúdo
meio verso da rima
gargalha confuso

anedota do sol
cobre os olhos da fresta
trinca o cílio e o lábio
segue franzino no caminho

quando tomba esfrega a mão
tira as pedrinhas da palma
aos sopros e gagueja desconjuros

segue em peraltices
na bravura de moleque
até que some de vista
perseguindo vaga-lumes

Karinne Santiago.

Foto: Web

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


Marta Syrko




puxaram o fio da seda
o caminho oposto da vida
desfigurou o bordado

exasperando os brocados
como tombo das runas
caixa convexa não guarda, tapeia (...)

Karinne Santiago.




Acordei cansada. Tenho dormido com o peso dos sonhos nas pálpebras. Todos os sonhos me escaparam, inclusive, os que não havia ainda sonhado. Por isso essa sensação de vazio. Agora sei quanto o vazio incomoda. O vazio é o máximo das contradições.


Karinne Santiago 


Foto: Web

Quem me acompanha: Clarice Lispector

Livro: Para não esquecer
Ed. Rocco



QUEM ELA ERA

_ ( Eu te amo)

_ ( É isso então o que sou?)

_ ( Você é o amor que tenho por você)

_ (Sinto que vou me reconhecer... estou quase me vendo. Falta tão pouco)

_ ( Eu te amo)

_ ( Ah, agora sim. Estou me vendo. Esta sou eu, então. Que retrato de corpo inteiro)

C. Lispector


Perla Maarek

domingo, 13 de janeiro de 2013



Pouco resta da noite
do jardim, dos quadros, da melodia

Há um peso no ar
suspenso entre nós
impregnando as paredes

Há olhares esquivos
boca amarga, olhos inchados
cama desarrumada, roupas abandonadas

Pouco resta de mim
do sorriso, do carinho, dos sonhos

Agora tudo é tão pouco
menos o vazio, a distância, a decepção.



Karinne Santiago


Foto: Web







Não vim falar de amor
Só queria compor uma coisa qualquer
Nem sei se será poesia ou canção de ninar
Preciso mesmo é juntar tudo que resta de mim
O que ficou esquecido atrás da porta ou debaixo do colchão

Queria mesmo fazer essa dor se movimentar dentro do peito
E quem sabe encontro a senha e desfaço esse segredo
Pois me dar demais foi o meu maior erro

Não vim chorar pitangas
Quem sabe depois dessa me apareça um sorriso
Que meus lábios exauridos estão perdendo o sentido
Pois não tenho mais nada a dizer sobre o nosso caso
E não quero ficar lembrando cheia de mágoa das nossas amarras

Queria mesmo sentar com uma caneca de Toddy
Olhar para o nada diante de mim e fingir um brinde
Mexer pra lá e pra cá o leite desmanchando o chocolate
E pensar que essa foi a minha maior viagem...


 Karinne Santiago

Foto: Web


Emmanuelle Brisson

alinho páginas e caneta
silencio

miro e curvo
o corpo na mesa

escuto a poesia

letras me sustentam
todos os versos

respiro o mote
lentamente
e me abrigo

no conforto da estrofe


Karinne Santiago