domingo, 19 de maio de 2013

Estórias sobre a minha quase morte

Maria Callas, em Medeia de Posolini

I

Qual o laço com que me impõe a fúria?

Dar-te a culpa que dissipa o zelo
para o desmantelo do destino

Eu, mulher
Face a face do seu sexo
Da matéria que me origina

Sem nome de santa
Para os seus pesares
Sem altares

Sem complacência
Nem tão sã nem tão doente

Antes o corpo
Dado como oferta
Das suas frustrações, Medeia?

O feminino estremecido
A infantilidade também

Finges ou vingas
(que não ver)

Então como me reconhece?
Como pensa ser da sua carne?
Tenho cheiro do seu ventre
ou o fogo que lhe arde?

Do seu fruto não comungo
Muito menos do seu rosário

Das suas mil rezas
Religiões e ladainhas
Aprendi sobre o silêncio
O meu
O seu
Do céu...

Karinne Santiago

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vamos poeticar?!