sábado, 12 de janeiro de 2013

1 ° de Janeiro







antes que não possa dizer
porque meus olhos se converteram
para tudo aquilo que me escapava
finjo que o universo restou nos meus sonhos

antes que o soluço me emudeça
respiro fundo o último sobro do seu verbo
me encosto na parede e rezo em lamentações
enxugo com a palma da mão o espanto

antes que a sala esteja deserta
e que não seja preciso atender o telefone
olho tudo em minha volta e fixo em você
debruçado sobre a mesa enquanto arrasto a mala

antes que seja a última peça a ser guardada
relembro a chegada como o mais feliz dos dias
e mesmo que não tenha tido nem canto ou assovio
meu peito batia asas numa frenética inspiração de sopro

antes que eu não adormeça mais ao seu lado
e que seu colo não seja o lugar mais seguro para meu riso
busco a alfazema derramada sobre nosso lençóis e peles
sendo o carinho nos teus ombros a minha grande euforia

antes que você feche a porta e o táxi chegue
e todos os abraços que planejei não fossem despedidas
olho você ao longe do lado daquele muro com pesar
as poesias arruinadas e descrentes assoberbadas de choros
guardarei para sempre a rosa branca que ganhei do seu filho.


Karinne Santiago


 Foto: Anka Zhuravleva

2 comentários:

  1. SEM RAZÃO

    um chão duro
    sem o ar puro,
    da esperança
    apenas a cor.
    Fale-me, amor,
    dessa paixão
    e tanto ardor.

    ResponderExcluir
  2. muito triste...era tudo que tinha a dizer...

    ResponderExcluir

Vamos poeticar?!