quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL!!!


O Natal passou com poucas palavras, mas com brilho nos olhares e sorrisos. E valeu ter presenciado tudo isso. Aos poucos foram se aproximando por razões diversas, mas todos cientes do que queriam e vieram encontrar. Daí vi, também, um homem diante dos seus sentir-se menino. Presenciei que por mais que a vida não tenha pautas e que nem sempre o enredo aconteça da maneira como desejamos, podemos nos perdoar, agradecer e amar. O amor acontece de formas diferentes, pois cada qual possui seu jeito de amar... Mas se é este sentimento que buscamos, então, podemos compreender o outro e entender que apesar de algumas lacunas, souberam acima de tudo preservar o mais importante. Vi irmãos se confraternizarem. Depois vi um pai comovido. Além disso, uma mulher e seu filho, felizes por conseguirem estar juntos e mais ainda por serem acolhidos com tanto carinho. Percebi que os símbolos natalinos apesar de bonitos e presentes eram secundários diante daquela família. Eles estavam ali para celebrarem um aos outros e um com os outros. Avôs e avós foram lembrados, outro, em porta-retrato, mas com traços tão semelhantes que se fazia presente quase em mosaico em um dos irmãos, pai e da mesma maneira era bem-vindo.


Ainda, um FELIZ NATAL!!!!

Karinne Santiago.


foto de Karinne Santiago/ Vinícius Santiago- Teatro na escola
Dezembro, 2013


foto de Karinne Santiago/ Vinícius Santiago- Teatro na escola
Dezembro, 2013

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

os segredos do meu corpo

Brooke Shaden




O silêncio perturba (a) dor
E o corpo desmente a paz

Do excesso do não dizer
Reinstalamos a invenção do vazio

Karinne Santiago.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

desfaz meus sentidos


 
Para Vinícius Santiago

domingo no parque, Karinne Santiago




e seu riso, menino
é  laço frouxo
no peito

desata minha alma
por inteiro.


Karinne Santiago.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

o céu dos meus olhos II


da janela lateral, Karinne Santiago


ah, se teus lábios insinuassem cores em minha face
como o sol se debruça no vermelho

ao longe poderia cingir distâncias
amarelos e azuis
e além do céu, essa saudade...


Karinne Santiago

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

o céu dos meus olhos



da janela lateral, Karinne Santiago





por vezes, deito a noite
sobre meus olhos e sonho

então chegas
e toma-me por estrela.

Karinne Santiago.


beijo

Emmanuelle Brisson





ainda bordo teu sorriso
em meus sabores

e redescubro tantos céus
além da boca. 

Karinne Santiago.

sábado, 7 de dezembro de 2013

todo desejo é fome (ou gula)


" Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas" .

Hilda Hilst.


não encontrado


Alimentava os dedos com seus espasmos. Cinco bocas.
Línguas perdiam-se entre tantas fomes. Nossos pratos.
Servidos como desejos rasos. Explícitos corpos.


A mesa posta sem resistência. Dava ao amarrotado linho.
A conversão da pele rígida em suores. Águas como brinde.
Confundiam-se porcelanas e nossos dentes. Ao tilintar dos gemidos.


Karinne Santiago. 














quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Ensaio sobre a Primavera IV

Parque da Redenção, Karinne Santiago.





fomos nos cercando de pesares
até pesarmos um no outro

apesar de vazios.



Karinne Santiago.

domingo, 1 de dezembro de 2013

pois quais os desejos que não tardamos?


Malcolm Liepke


beijo-lhe mais tarde, meu amor.
assim como a noite não nos cabe
neste negro e inexato tempo

pois quais os desejos que não tardamos?

deixemos que nos esqueçamos
por qualquer romper do dia
já se faz longa a despedida

beijo-lhe mais tarde, meu amor.
quando a noite já nos seja alta
e a lua diminuta nos confunda

pois quais os desejos que não tardamos?


Karinne Santiago.

sábado, 30 de novembro de 2013

Minha doce ventania

  Para Vinícius Santiago, meu amor 

Klimt



nasce ventania
logo meu peito oscila
entre um riso
e outro

cresce ventania
rápido se aninha
entre um braço
e outro

persiste ventania
breve novos ares
entre um olhar
e outro.

Karinne Santiago.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

quando o não dito é riso




Chagall

era o contorno da sua risada
que me inquietava

era o risco no ar
daquele hálito

era inconcluso o dito
por entre dentes e lábios

era o esboço do desejo
onde gargalhávamos.


Karinne Santiago. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

nunca dantes navegada - IV

Jill Saitta


I

nada desafoga meu olhar
estou como o sol se pondo no mar

II

a lua clareia
cintila espuma
o mar ilude profundidades.


Karinne Santiago. 

Teus olhos, esse nosso olhar...

Para Davi, meu anjo




teimou em ser anjo
assim renunciou
em qualquer canto
asas me confortam.

Karinne Santiago




Teus Olhos, Marcelo Camelo




terça-feira, 26 de novembro de 2013

Ensaio sobre a Primavera III

Parque da Redenção, Karinne Santiago.



desliza o tempo
à margem da sombra

ou

desliza o tempo
a margem assombra?


Karinne Santiago








Ensaio sobre a Primavera II


Parque da Redenção, Karinne Santiago


braço de árvore
desvia ventania

rendo-me
envergando raiz.

Karinne Santiago.


Ensaio sobre a Primavera


Parque da Redenção, Karinne Santiago




pé ante pé
a estrada
versa caminhos.


Karinne Santiago




segunda-feira, 18 de novembro de 2013

para constar

klimt
por que
se impõe
destroçando
o que resta
de bonito?


vem sorrateiro 
tramando veneno
covardia
leviandade

o rastro
amargo
da herança
carrego
no nome

por um
fio

silêncio
sórdido

a mão
que alisava
o ventre
da menina
agora, advoga

é a lei
o dinheiro
o beijo escroto
do empresário
pousa

quem é
mais doente?


Karinne Santiago




































domingo, 17 de novembro de 2013

SONHO DE MULHER É IMENSIDÃO



Catrin Welz-Stein
    Para Milena Machado


vai andorinha
desmistifica as nuvens

voa alto
depressa

é algodão-doce?

vai andorinha
se agita

sobe
corta o vento

é anil todo firmamento?


Karinne Santiago

nunca dantes navegada- III

Jill Saitta





verso o mar
para aplacar
salinidades

esse gosto
tão singular
de maresia

arrebenta-me!

Karinne Santiago
Cristian Schloé






Minha alma está vazia. Um alvo oco
O vento transpassa-me. Nenhum arrepio
Ou lágrima, riso ou poeira. Apenas inexisto.


Karinne Santiago

sexta-feira, 15 de novembro de 2013


Cristian Schloé


Deixou-me para revisitar o passado. Silencioso, nostálgico e vazio.
Tolo equívoco, opção ou sina. Do que preciso ao que pode ofertar-me?
Um gosto antigo das bocas que beijou. O corpo amarrotado pelos abraços anteriores...
Não os meus, os nossos.  Estes são anedotas e abrigos para solidão. O futuro não tem bússola.




Karinne Santiago

última resistência


Não sei se quero descansar, por estar realmente cansada ou se quero descansar para desistir.


Clarice Lispector


Cristian Schloe


Não estou em seu riso, afago ou saudade. Sou paisagem.
Aquela que além do horizonte não enxerga. Moldura vazia.
Sobrevivo em sua cegueira com os braços estirados por afeto.

Sinto os dois vãos principiando abismos. Ampulheta.
A areia é o tempo ou minha presença. Esvaindo-nos.
Sua lira oferece breve despedida. Logo parto.



Karinne Santiago

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

nunca dantes navegada- II

Jill Saitta

I

toda água é confidência
dor 
ou prazer

depois finda
rarefeita

II

pisca-me distância
astro artificial

clarão soberbo
mas seus olhos são cegos



Karinne Santiago



quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Diário em Devaneio Noturno- parte XII

Malcolm Liepke

A língua é um compasso traçando arrepios. Contornos redesenhados por vestígios da sua saliva sobre minha pele. A ponta da mucosa brilha contra o papel em branco. Umedecendo lentamente os extremos. Dobrando-me. Arqueio o ventre. Os dedos dos pés flexionados enrugam o tapete. As partes internas das pernas se oferecem apesar de rígidas. Sua boca retorna o projeto. Renova os movimentos. Compõe pequenos círculos. Os lábios pressionados dão espaço para os dentes. Morde-me e decifra-me. Compreendemos sem enigma todo o desejo. Com os braços sob o quadril apoia-me no chão. Enrosca uma das minhas pernas em cima do seu ombro. Sinto o contraste das nossas temperaturas. Seu rosto quente. Minha perna gélida quase trêmula. As costas das mãos escorregam até o joelho. Já percebe a ansiedade do ventre. Os lábios inchados agarraram as rendas. A trama da linha revela os pelos. Flores se projetam na flor maior. Líquida. Desmancha-se. Escorre entre as coxas. Derrama sua seiva em outros espaços. Ofertando um mapa ou um jardim. Tato, paladar, olfato. A primavera estimula o ímpeto. A liberdade adquirida com a boca rosna a vontade. Rasga as pétalas. O indicador e o polegar confirmam a falta da sombra. Investigam a sede e a gula. Fundo. Os dedos abrem novas pétalas. Tocam de leve a haste. E um gemido principia a fusão dos sentidos. O compasso testa o sabor. O compasso experimenta a maciez. Tudo se confunde. Lateja. Pulsam os sexos a confidenciar aprovação. O assoalho, a luz que orna a janela e o lustre. Tudo se funde. Olho para o teto. Ele é mudo, mas o ouço falar comigo. Juro que escuto. A noite tilinta as contas de cristais. As estrelas. O som das estocadas agarra as paredes. Entrelaçam nos pés dos móveis. Toma-nos. Somos todo aquele ambiente. Dentro. Desabitamo-nos. Assumimos outra dimensão. Cada vez mais fundo. Cada vez mais rápido. Todo corpo é sexo. A boca é meu sexo. Os dedos são seu sexo. Os sexos são o sexo. O cio. O suor. Os seios as esfregar os mamilos contra o coração e pelos. As costelas. Somos o sexo. O sexo. O sexo. O sexo. E o gozo...

Karinne Santiago

terça-feira, 5 de novembro de 2013

talvez uma prosa depois te conto- parte II



Catrin Welz Stein
Com o punho de linho esfregava os guardadores de fotos. Gostava o homem de fraque de lustrar seu passado. O aparato exigia arte. Lado a lado ia organizando seus romances. Para cada encontro ou desencontro, um adorno. Molduras reluziam. E lá se iam horas a fio catalogando o coração. Chamava cada uma por seu apelido e relembrava intimidades como menino recém-iniciado. “Oh, Dadá... Oh, Mel... Borboletinha...”. Apertava o vidrinho contra o peito num gesto de puro carinho. Que boa memória aos desejos se reserva. Afagava o objeto. Fechava os olhinhos. Para os desavisados uma imagem para se compadecer. Para os já descrentes, a dúvida logo surgia e o faziam repensar sobre os arroubos do amor. O saudosista de fraque colocava na prateleira seus afetos. Faltava apenas etiquetar como um bom bibliotecário. Todos os amores lhe sorriam do quadrinho. Ah, os verões ou os anos de varão... Ah, tudo aquilo que deixou de ser ou poderia ter sido. Cogitações e lembranças seria o título da cena. Depois de toda sedução enfileirada caberia um pouco de vinho. Entre o abrir e fechar dos cílios alongava o olhar para os sentimentos nas prateleiras. Era seu Taj Mahal na estante. Sabe-se lá da solidão ou da imaginação. Talvez, inclusive, ele desconhecesse. No fundo, lânguida tristeza trincava o colírio. Se o amor fosse esse tal banquete, compreende-se Platão, o guapo logo palitaria os dentes e bateria com a mão na barriga. Será que a digestão de amores leva tempo? Tanto que se acumula numa sesta longa e pesarosa. Um romance volumoso bem sabemos. Difícil mesmo seria supor a dedicatória ou os agradecimentos. A fulana que em mil e lá vai tanto me fisgou com seus dotes naturais e pessoais. Aquela outra que de sainha me aninha a alminha. Por mais comum que parecesse, o espetáculo juntaria gente. Aglomerado de pretendentes se reuniria para ler em voz alta como foi referida. Em prosa ou poesia. Contariam as datas dos supostos noivados e dos arranjos florais. Recordariam atrasos e cansaços. Leriam tudo com a sagacidade feminina e confirmariam suposições antigas. Perceberiam aliás, que os mesmos poemas eram dados para todas. Melhor artimanha que esta só namorar moça com o mesmo nome. Para ser bom amante é fundamental sim, uma boa caixola para que na troca de pernas não se confundam endereços e investidas. Cada uma já adivinharia o fim, pois o homem de fraque de tantas jamais foi de nenhuma. Sua alma clandestina quase cigana roubava-lhe de qualquer compromisso, mas espero, não, de um final feliz.

Karinne Santiago.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

a tristeza é marca de nascença

Catrin Welz Stein





um dia disseram-me:
"dou-te de herança todas as lágrimas!"

inundando-me de pesares
instalando-me ilhas 

hoje sou líquida
impalpável
oceano

Karinne Santiago

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Breves, porém

Lili Roze






salve as pequenas mortes nas manhãs
onde o sonho paira entre as coxas
até levitar nossos resquícios

salve as pequenas mortes nas tardes
ao luzir das louças e dentes
ou no tapete os líquidos iniciais

salve as pequenas mortes nas noites
onde prendo em gozos passados
minha pobre alma amante.

Karinne Santiago

terça-feira, 29 de outubro de 2013

instrumento novo

Lili Roze


sua leitura ensaia
toda libido em mim

dedilha-me
regendo águas e plurais

sou da sua melodia o arrepio
pausadamente

Karinne Santiago

jamais ousei tanto querer




Lili Roze

alinho os dedos num afago
tela branca traceja
suas cores em mim

por vezes, flama
impera ventanias
abre-me oceanos

noutras, contorce-me
feito o sol aos bons dias
a carícia do vento na pele

sempre, riso irrestrito
algo que renasce e preenche
sua presença comove-me

como se fosse presente
parte desse todo
que se fez em mim

Karinne Santiago

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

sábado, 26 de outubro de 2013

caminho oposto

Espetáculo Cravos, de Pina Bausch









todo corpo desautoriza o abismo
pois ele já não sou
e nele não caibo

Karinne Santiago.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013



Catrin Welz Stein


Ah, não venha dizer-me que não sente quando dia rompe
Atrás das horas, atrás das nuvens
Há sempre um olhar resguardando o horizonte 
O céu explode em cores para depois descansar negro
Como quando cerramos os olhos para sonharmos por dentro.

Karinne Santiago




quinta-feira, 17 de outubro de 2013

LUMIÈRE



Catrin Welz Stein


todos os silêncios
são asilos da ausência

os fatos se projetam
em câmera lenta

minha pele como tela 
(das cicatrizes) 
e a alma arranhada 
só repete 

seu nome 
seu nome 
seu nome 

mas a lágrima 
embasa o fim 

não há créditos 

Karinne Santiago





















quarta-feira, 16 de outubro de 2013

talvez uma prosa depois te conto

Catrin Welz Stein

O homem de fraque parecia que andava com algodão nas solas. E tinha por fraco, aliás, não dispensar seu gingado a nenhum desavisado decote. O passo miúdo conduzia-o entre idas do chapéu estendido numa curvatura de galanteio típico do cinema francês. E as vindas dos olhares a decifrar o bailado das saias das moçoilas. Dizia-se de coração fraco por formosuras, mas o que todos já sabiam que o preferido do senhor era exercitar seu palavreado. E conjugava cantigas, remendava anedotas, proseava bonito igual a passarinho ao ver o céu ensolarado depois de dois dias de chuva. Fosse quem fosse nenhuma delas pareciam imune as cordiais investidas do gabeloso. Citava tanto o amor que era o primeiro a supor que amava. Investia tremores e luas claras ao se sentir condecorado. Refazia-se entre suspiros. Soluçava poesia. Rendia-se a sua crença tanto que comovia e se comovia. Chegava até a sofrer em lamuriosas taças ao diz-que-me-diz da sua própria imaginação. E de tanto jurar e inventar vocabulário logo o povo mais próximo se amolecia e torcia pela felicidade do cidadão. Era uma, duas, três ou quem mais coubesse como flor na lapela. Umas até sabiam das outras. Insinuavam abandono parecendo queixosas da divisão de bens, mas não arredavam a ponta do salto. Pura mainha de mulher. Por vezes, realmente se ressentiam. Iam além do biquinho. Entretanto, não durava muito aquele ensaio de despedida. Ele com o ar tão queixoso. Um olhar tão penoso. Usava seu verbo mais charmoso que rápido tudo se esquecia. Há as que gostavam de ser mais uma. E se inspiravam naquele jogo. Parecia que essa era a partida que ele mais se atrevia, pois se as queixas predestinavam seus maridos, ele, porém, seria o redentor das falhas e das faltas. Pois para conquistador é necessário mais do que um bom ombro ou ouvido. É preciso acima de tudo está sempre bem disposto, acarinhado de colônia e robusto nas calças. O repertório pode até ser bem doméstico, mas se ambos fingem seus romeus e julietas sorte do acaso, do destino ou da ancestralidade da vida que os reuniu, dizem os mais emotivos. 


Karinne Santiago

terça-feira, 15 de outubro de 2013

viagens e paisagens

Catrin Welz Stein



sempre haverá descaminhos
o aceno perdido na curva
a imprecisão do tombo

mas há um rastro de sombra
que prolonga o abraço

entre o não ter
e o não ser
tem o porvir

é assim a poesia
que não descansa nunca!

Karinne Santiago

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

domingo, 13 de outubro de 2013

céu límpido

Catrin Welz Stein






teria que ser lua

e estar nua

para compreender-me sua (?)

Karinne Santiago
Catrin Welz Stein


pinga uma estrela
quiçá colírio
e a noite que me queira...

Karinne Santiago

embaraço

Catrin Welz Stein







teria que ser o avesso
e rever meu apreço

para compreender-me laço (?)

Karinne Santiago.