sexta-feira, 23 de novembro de 2012

amores de ontem


risos amarrotados
beijos borrados
escorrendo-nos
ao pé da porta
nas paredes esmaltadas

saltos desnudos
abraços convites
ecoando-nos
no brim das cortinas
nas datas das fotografias

dedos desbravadores
arrepios atalhos
denunciando-nos
no desalinho do tapete
nos abajures aos tombos

arremessos dos instintos
balés das bocas
salivando-nos
cruzam cabides
ternos e meus colares

lençóis de suores
travesseiro no peito
desfeito-nos
fantasia de menino
sonho de mulher

Karinne Santiago












esculpe em nós as luzes do cais
o balançar das sombras de nossos risos
nas enchentes de marés e luas cheias

uma nau corta a placidez da água
romanceando o farol aos rodopios
entre espumas redesenhando a praia
entre pegadas solitárias e conchas vazias

estrelas em melancolia são mais que o negro
em versos complacentes de beleza invertida
piscam rotas libertas num caminho instável
a brisa cochichando mergulhos e o calor do dia

Karinne Santiago

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

direi ao amor sobre a vida


direi ao amor sobre a vida
em diminutas partes

do partir

resquícios de rima pobre
ficaram retidas na retina
disfarçados como lágrima
de um pranto tímido e amiúde

a indecisão

amola as pontas da ruína
aprimorando a fenda do corte
adormece o gigante sem destino
deste agora o quase se rompe

o retorno

a palavra presa e inconclusa
dobra-se ao passado em busca
revendo as placas das idas
numa resolução do abraço

a chegada

era uma veste alinhada
num molde acertado de almas
preso no peito arremate 
no lábio dor de saudade

o permanecer

o instante se finda
em prolongamento do estar
cogitações finais de alinhavo
resto de tanta vigília

a poesia

o alvo e o elo
as traduções e o por vir
era o pacto do aconchego
da palavra ao beijo

Karinne Santiago


Foto: Norman Parkison





segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mote, poema a 4 mãos




Julguei divindade
os lábios do desejo
incontidos segredos

do amor
um deus adormecido
como saboroso unguento

encontro inervado
no encanto
distraímos-nos

afrontamos
fomos também deuses
(nossos próprios)
em devoção dupla

redoma poética
êxtase de versos
línguas em festa

rimas, esferas
repartimos-nos
devoramos-nos

fomos a palavra descalça
livre de riscos,
fomos nossos outros
além do osso, da carne
a libido em seresta,
os donos do tempo

o homem dos lances,
a seta do dia

na rua, dos sentimentos
nus

Poema escrito por Karinne Santiago Carmen Silvia Presotto entre leituras e comentários… conVersares!!


Foto:Paul Von Borax