sábado, 20 de outubro de 2012





a lua se alonga debruçada ao mar
o farol lambe o reflexo da noite
as espumas que redesenham
o olhar saudoso das estrelas
descobrem o segredo da sereia

Karinne Santiago


a terra ampara o passo e o vacilo da sombra
a renda varre as folhas secas do tombo da haste
recolhendo dos humos o orvalho adormecido
num acontecimento de jardins no noturno cio

as pétalas exalam certo frescor apesar dos insetos
desmancham tinta na ponta do dedo depois de feridas
o sangue das flores é sua cor romanceada no corte
filetes por onde escorre a seiva não revelam a espécie

deixa cair o leite, algum musgo, quiçá semente(...)
comum primavera das árvores rangem os galhos
floreando o chão, pintando as calçadas de estação
levadas pela brisa invadem os portões e se dissipam
no asfalto cinza agora um gigante ramalhete de pinche

os beija-flores cintilam nos faróis suas asas leves
o colorido desperta a admiração dos andarilhos
as buzinas e os estalidos das flores por toda avenida
orquestram delicadeza na manjedoura de concreto
canto leve anunciam as rosas em tempo robusto

Karinne Santiago

Foto: Neil Craver.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012






E por tanto querer confundi o tempo exato de perder. Era algum segundo entre o piscar de olhos e o morder do lábio. Era alguma palavra pronunciada entre o sussurro e o afago. Era aquela maneira de conduzir a dança e abrir a porta, servir o 
café, despachar a carta. Era aquele cinismo convincente de um mundo confortável mesmo depois de uma entrega mal feita, apesar de toda nódoa e do rasgo no sapato. De alguma maneira permanecia subentendido o querer e nos encontraríamos dentro dos nossos silêncios logo ao fim do dia. Murmurávamos até com certa candura alguma injúria, mas havia sempre e longamente, o querer. Até que a presença passou a ser esquisita. Tal qual uma roupa apertada. Esticamos as mangas, repuxamos a bainha, afrouxamos a gola. E aquele tecido também, parecia grudar na pele. Nada parecia amparar o caimento ideal do corte. E não era isso mesmo, a ruptura espera sempre o caimento ideal do corte.

sufocada


Ei, palavra!!
Gostaria de um acordo
Encerra este pranto
Que não lhe dou um ponto
Deixo assim ficar
Em reticência
Nem ao breve sentimento
Lhe darei urgência

Ei, palavra!
Vamos fazer um pacto
Ilumina estes olhos
Não os abandona de fato
Lança o verso mais bonito
Reconstrua a estrofe
E deixa a poesia como bálsamo

Karinne Santiago

Foto: Anjelica Huston

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

tolo, tolo, tolo, tolo, tolo, tolo...tolo!!





o amor cruzou os braços
quis esconder o peito
ameaçou cada batida
reclamou silêncio
ordenou respeito

mas o coração
não teimou
nem obedeceu

é involuntário!!

Karinne Santiago

domingo, 14 de outubro de 2012

tão perto do coração



ela: te amo, sabia?

ele: e os amigos, também...rsrsrs

ele: Não acredito, és uma mentirosa...rsrsrs

ele:Mas tão linda !

ela: (gargalhada)

ele: Gosto tanto quando sei que estás a rir...

Karinne Santiago
a lua alva

estampou estrelas

na minha janela

e reluziu sonhos

engraçado espanto

do gato lá do alto

ao se sentir refletido no céu

 se imaginou imensidão

lambeu a pata

a língua como nuvem

fez chuva de miados no telhado



Karinne Santiago