sexta-feira, 28 de setembro de 2012


Para Victor Ventura






Gosto quando me cala com um riso e me fala com os olhos. Gosto dessa coisa nossa. Desse silêncio tomado de frases não ditas. Dessa conspiração de ideias feitas como por leitura de pensamento. Gosto quando paramos tão próximos e nos respiramos... 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012






Uma revoada de borboletas entre o peito e o início da garganta. Parecendo que o mundo me engole de dentro para fora. A cada passo dado, as borboletas se agitam batendo as asas umas nas outras. Numa confusão de cores e profusão de sentimentos. Meu estado de espírito ou de consciência, sei lá... não consegue acompanhar com delicadeza todos os voos. Por hora, acha graça. Outra, se sente sufocado. Porém, toda esta inquietação tem um sabor de travessura, não minto, de sonho se realizando... Ahh, e não preciso falar do sorriso...nem a Monalisa, baby...

Horóscopo Chinês

Para Madhu Maretiore





Entoa a brisa rezas em mandarim
Flores de cerejeiras desabrocham
Em rubra aurora 

Asas semeadoras de ventos
Desmancham o desejo no solo
Ruir de muralhas

Caudas de carpas a zingue-zaguear
Na fonte híbrida dos sonhos
Dragão de água

Corre o calendário da colheita
Espelho de moedas e pedidos
Alados risos

São os tempos de quimera!

Karinne Santiago





25 de Setembro de 2012

24 de Setembro







Só notei a primavera quando fui bater o meu tapete na janela. E percebi que as cores das flores estavam mais vívidas que as poeiras do meu passado. A vida me sorria lá fora como um jardim. .. Eu não havia parado para notar setembro. Estava presa em casa com um cisco no olho. 

22 de Setembro






Às vezes, a descrença é um amuleto que lhe oportuniza reparos. 

Karinne Santiago

22 de Setembro






Quis vomitar os beijos. Esfregar suas impressões na minha pele com sabão. Queria apagar os registros da sua presença em minha vida. Queria a máquina do tempo. Alguma coisa estúpida que me fizesse esquecer... Senti o corpo violado por palavras duras. Sua voz parecia golpes de navalha. Aos poucos a alma se esvaia descrente da crueldade. O sentimento restante parece me manter num transe ou numa espécie de sonambulismo. Talvez, seja o momento da dor que ainda parece distante do término. Ou quem sabe, seja a dúvida, uma esperança vã, de que em algum momento perceba que tudo não passou de um pesadelo.