segunda-feira, 13 de agosto de 2012




o amor
mordeu a palavra
o sabor desmente
o que o coração sente.

Karinne Santiago

desacato do dia seguinte


acidez
em tom
azul
pingou travoso
meu paladar

nuvens
cor
de estranheza
esqueceram
de brincar

o canto
emudeceu
o desenho
desbotou
o tempo
adormeceu

e
aquele gosto
ácido
persistiu

Karinne Santiago

Eu não sei escrever poemas de amor



I

as palavras se recolhem aos ditos de amor
refugiam-se ou me confundem entre poemas
as páginas se preenchem de suspiros e risos
e ao tentar dizer do amor que sinto, calam.

Karinne Santiago

A sombra torta da lua







aos tombos das ondas

sombras tortas

assinam a rota

ao longe

vacila contornos

como lágrima

estendida

e

bailando estática

derrama-se

num brilho

transfigurada fêmea

musa

desmente romance

ao poeta

muda

pura solidão

vê-se cálida

em

l

á

g

r

i

m

a

estendida dor


Karinne Santiago

Para onde correram meus anzóis?


sobre saudade quis falar
vendo ao longe o barco
se fundir ao mar
emancipando suas velas
diante do sol e azuis

sempre a mesma cena
um barco, o mar
as velas, o sol
e meu coração
a navegar
no cais


se soubesse
escreveria poemas
de amor
em outros tempos
caberia amar
e escrever
omo os poetas
meu sentir
também seria
letras
(de dor).


escreveria de ser
enamorada do sol
naquele barco
cortando as ondas
vento no rosto
velas a toda
os raios soprando
amarelos


ou seria
destemido marinheiro
sem cartas ou plantas
levando consigo
o último beijo
da amada
julgando ser capaz
encontrar maior
tesouro


isto seria
se fosse poeta (...)
mas nasci assim
na condição de porto.


Karinne Santiago