sexta-feira, 20 de abril de 2012

Rodopiando Aromas





Elevo linho até dourados pelos
Liberto do tecido coxas ao sol
A bainha da saia roça a libido
Quero olhares antes dispersos
Retidos em carne alva e tensa
Inquietante saliva do lobo

Debruço maçãs não contra vontade
Agarro-as com mãos descrentes pudores
Rio do convite rosa inesperado e fugidio
Prendo entre os dedos bico suculento
Endurece quase perfurar finas tramas
Encubro faceta menina a mordiscar
Açoite convincente do poema

Saia arqueada num balé improvisado
Pontas dos pés alongam seu desejo
Rodopio bailarina em fantasia
Secreto deleite e maturo enfeite
Orvalhando ventre com cheiros de cio
Desse jogo mostro-lhe em ancas
Úmidas impressões matutinas

Karinne Santiago





domingo, 15 de abril de 2012

Ondas em Mim





Cheiro de mar que me embriaga
Baile de águas dando voltas no cais
Estilhaços de poemas arremeçados
Sentimentos fincados na areia
Reclinam pingos revirando o sal
Mira fendas brandas desculpas
Invade  ancorados  medos
Maresias preenchem o desconhecido
O alvo é pedra inerte
Fitando mar em noites quentes
Arrebenta-se na praia mexendo búzios
Espalmadas mãos netunas abarcam
Lavando a conchas e escrevendo destinos
Penetra recantos obscuros e máscaras
Afoga seus sons e imita as gaivotas
Joga-se misturando saliva
Carícia lenta derramando-se
Em contornos moldando rimas
Convence- a criar húmus
Agasalhando-a em esperança viril
Ri em maré cheia das cócegas da lua
Antecipa e amontoa lembranças
Amor insólito dependente do anil
Agarra aos entreabertos da rocha
Toma-lhe como tua

Karinne Santiago