sexta-feira, 6 de abril de 2012

PROSA MIÚDA IV



Em traços e tinta vermelhos
As linhas do seu destino
São os contornos da minha boca

Karinne Santiago

PROSA MIÚDA III





Dissolve riscos de sol
Saliva que escorre do olhar
Liberto pecado na pele

Karinne Santiago

terça-feira, 3 de abril de 2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

domingo, 1 de abril de 2012

Sonho de Passarinho





Desfaço-me céu límpido
Como gaivota solta
Em voo rasante corto
O vasto anil e suas ondas

Decolada liberdade mirante
Encho o peito e canto
Berro ao sul projeção
Persigo minha sombra

Imensidão me invade
Velocidade contra o vento
Agora sou clara tempestade
Arqueio o corpo em movimento

Invento minhas bússolas e cruzeiros
Sou do mundo, deste ar...
Sobretudo destas águas
Num quase beirando o mar

Respingo salgado na pena
Pedaço da asa sonha peixe
Desprende-se e mergulha oceano
Perde-se de vista, marinheiro

Encorajo-me a sonhar
Vai ao branco ser espuma
Abraça e mistura-se
Baila ao naufragar...

Karinne Santiago





As ruas tortas e desertas que carrego  
São labirintos de lembranças ruins
Lado mais amargo e devastado
Mãos nos bolsos em punho fechado
Cabeça pendente entre o escárnio e a dúvida
Eco do tiro, do grito, do pedido implorado
Sem ataques, rendida, amontoados de nãos
Fantasmas que custei reconhecer e negar
Causam medo e repulsa
Estremeço num arrepio dilacerante
Todas as gélidas águas onde me encharquei
Lágrimas
Passos solitários em chão de pedra
Marcam o compasso angustiante da fuga
Esconderam os mapas e esqueci os atalhos
O cabelo molhado na cara contra o vento
Navalha
Ressurgem tramas no peito
Corte em linha reta ou arame farpado
Salto para fim ao acaso precipício
Despenhadeiro de nevoeiro retira as imagens
Durante a queda todas as cenas banidas
Palavras incertas, sarcasmos, descrença
E o corpo baila em vazio suspenso
Nenhuma erva daninha para agarrar
Deixe-me cair como chuva
Suplico
Torrenciais de mim
Partir em cacos de luto ou dor
Deixe-me ruir...

Karinne Santiago