segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

DIÁRIO EM DEVANEIO NOTURNO (parte VII)





O corpo submisso sentindo a lentidão da noite ao se confundir entre convites beirando certa obscenidade. Oferece o dorso nu e alvo debruçado numa indecorosa visão de curvas e dois belos montes. Entre eles um feixe abrindo longamente a rotina da paisagem. Uma vontade lasciva de que toda aquela escuridão pudesse de alguma maneira persuadir a lógica ao começar invadir-me lentamente. Nestes ares noturnos os aromas fugidios de todas as coisas que a povoam só fazem menção ao cio. O doce das flores, a melancolia da lua, os passos dos amantes apressados deixados nas calçadas em rastros de arroubos e risadas. Em cima da cama desfeita, somente um lençol e minha boca, meus seios, meu ventre e o pecado. O suor escorre em minhas costas como se a pele maliciosamente repetisse em tentativa de salvação a palavra amém. Cada letra sendo pronunciada escancaradamente por lábios libertinos, paladares de malícia e uma sôfrega vermelhidão sem culpas. E a noite alonga-se em meu corpo. Escorrendo estrelas que as fariam adentrar em minha pessoa com a ponta da língua que esquece a função de dizer e apenas se retém a degustação. Brincando com o céu da boca certa emancipação faz cócegas e se derrama tomando toda a mucosa numa inspiração cósmica. O calor denso e envolvente arremata logo na garganta a seiva de brusca masculinidade e percebe que o sexo dos anjos advém da intensidade luminosa dos astros. Prende o gemido e sufoca ardores. Esparrama no colo e a alvura se desmancha em carmins brincando de imitar as cores do entardecer. Por vezes, parecendo adormecidas nos envolve e continuam a dialogar com a vulva em lapidada libido. Latejando ritmado o açoite. Como ao cair das horas que em velocidade galopante rompe em via crucis do desejo. A escuridão da noite é a dúvida que instiga o amante no cortejo do romance. E se embrenha em cantos íntimos. Vasculha e aconchega. Umedecem em gotas de quase precipitação. Ralha com o espaço explorando a imaginação e a fixação dos mapas astrais. Comunga dádivas e surpreende. Envolve e se agiganta em lambidas vastas. Morde os montes, mas não se esquece de beijá-los e recebê-los com o teor de sadismo convincente da possibilidade de repetições logo a cadência do onírico. De tanto salivar se ensaia hímem que seduz a lua numa alcoviteira dança sedutora. Um fado, um tango, enfim, uma maldade suposta e organizada que impera num gozo e condecora o amanhecer com vidros embaçados e uma voz tanto rouca quanto ofegante...


Karinne Santiago


Foto: by Calvin

2 comentários:

  1. Karinne, um beijo grande e que o Natal seja iluminado e que 2013 siga nos unindo em amizade, poesia e muito amor ao que tecemos!!!

    Feliz Natal, Felz 2013 e seguimos.


    Carmen Silvia Presotto - Vidráguas!

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  2. Minha querida Carmen, a poesia é um elo forte e a fonte de todo meu amor e admiração por você.

    Um feliz Natal ( atrasado) e próspero e inspirador 2013!!!

    Beijos!!!

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Vamos poeticar?!