sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A PALAVRA QUE ME CONSOME



V



poesia:


sou esta tez
num corpo ancestral
versando em espiral
códigos e sintaxe
adentro-me precoces traços
rabiscando sentimentos
amiúde incerteza
da sílaba muda
rastro de lembrança
numa claridade cega
neste primeiro partir
nasço estática
fecundo gesto
incesto de ideias
mímica estrofe
alonga-se


poeta:



escrevo-te
num virginal hálito
entre paladares breves
lapidando do ventre (pena)
uma porção feminina
anterior gênero
desfaço do sexo
genitália de palavras
desmanchando o símbolo
em dor maravilhada
marginal oferta
vida em branco
 manto de resma




poesia:



sina minha
narcísico grafo
desejo em vão
liberdade infinda
mordo a rima
diferentes ais
rebatiza
renasço
em falsos poetas
musas fortuitas
lento alunato
até em ti
ao confundir-me
ou esquecer-me



Karinne Santiago



 Foto: Geraldine Lechugas

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