sábado, 20 de outubro de 2012



a terra ampara o passo e o vacilo da sombra
a renda varre as folhas secas do tombo da haste
recolhendo dos humos o orvalho adormecido
num acontecimento de jardins no noturno cio

as pétalas exalam certo frescor apesar dos insetos
desmancham tinta na ponta do dedo depois de feridas
o sangue das flores é sua cor romanceada no corte
filetes por onde escorre a seiva não revelam a espécie

deixa cair o leite, algum musgo, quiçá semente(...)
comum primavera das árvores rangem os galhos
floreando o chão, pintando as calçadas de estação
levadas pela brisa invadem os portões e se dissipam
no asfalto cinza agora um gigante ramalhete de pinche

os beija-flores cintilam nos faróis suas asas leves
o colorido desperta a admiração dos andarilhos
as buzinas e os estalidos das flores por toda avenida
orquestram delicadeza na manjedoura de concreto
canto leve anunciam as rosas em tempo robusto

Karinne Santiago

Foto: Neil Craver.

2 comentários:

  1. a poesia tá vicejando em correnteza, belo, belo


    beijo, beijo, beijo

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  2. completamente...e obrigada!!!

    beijo, beijo, beijo

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Vamos poeticar?!