domingo, 30 de setembro de 2012

Diário em Devaneio Noturno






Arde em meu corpo uma paixão clandestina. Tal qual, o líquido adocicado da maçã que escorre nódoa. Confronto o esmalte na casca vermelha e tensa. Sentindo as fibras se confundirem com minha saliva. Ainda de olhos fechados apesar de romper a fruta, permaneço o pensamento no dono das minhas tempestades. É onde o meu próprio mar agita-se. Numa feminilidade impiedosa que não descansa o desejo resguardado. Ah, este abrupto sentimento em meu peito, onde antecipa constelações enamoradas de espanto. Encho-me de repentes bonitos tolhidos em palavras libertinas e poemas relutantes de censura. Comungo com o mundo o espírito de aventura. E ao me tornar aflita, sinto-me amada. A vivacidade do acalanto é em diversas vezes, o sonho esperado. Desconheço a quem posso confessar meu delicioso tormento. As puritanas anáguas das batinas ou as putas escancaradas na alcova. Antes, porém, advirto não me instiga conselho. Desde o céu até o inferno ou vice-versa, prefiro o infinito oblíquo da reticência...



Imagem: Lili Roze

Um comentário:

  1. PAIXÃO CLANDESTINA
    Arde em seu corpo uma paixão clandestina
    que nem o seu corpo, nem a sua alma domina
    tal qual o sumo que escorre nódoa da maçã
    e o esmalte da casca vermelho e tenso, saboreando
    com as fibras se confundindo na boca salivando
    porque de olhos fechados vai rompendo essa fruta sã

    Seu pensamento permanece no dono de suas tempestades
    onde seu próprio mar se agita em tais profundidades
    numa feminilidade impiedosa que não descansa o seu desejo resguardado
    Mas o sentimento abrupto que sente no seu peito
    onde antecipa constelações enamoradas a seu jeito
    enchendo-a de repentes bonitos, tolhidos em palavras sem pecado
    Algumas libertinas e poemas resultantes de censura
    comungam com o mundo seu espírito de aventura
    e ao ver-se tão aflita se sente tão amada
    com o acalanto vivo de um sonho várias vezes esperado
    desconhecendo a quem possa deixar tal tormento confessado
    na fria noite solitária, só de amor temperada
    As puritanas anáguas das batinas enxutas
    quedam escancaradas como em alcovas de putas
    mas antes adverte que o conselho a não instiga
    pois desde o céu ao inferno, ou talvez vice-versa
    o infinito oblíquo da reticência, se fica na conversa
    que prefere finalizar com a doçura de uma palavra amiga
    Joaquim Vale Cruz - 2014 – 11 – 06

    Nota - Em diálogo com Karinne Santiago, grande poetisa e amiga

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