domingo, 16 de setembro de 2012

Café no Museu






Se tivesse algum dia na vida tomado uma xícara de café, diria que hoje, minha boca está com gosto de café requentado, de café velho. Podem inclusive, achar que estou maluca ou que eu tenha feito um comentário sem propósito. Afinal, como pude
 argumentar tal coisa sem nunca ter provado um gole de café?! E eu, prontamente, acataria de bom grado tal julgamento, pois em resumo é justamente isso. E logo de início teria sido compreendida. O gosto requentado equivale à sensação de que tanto o mundo que habito quanto o mundo que levo aqui dentro, está fazendo pouco sentido!! Pensando em um corpo que esvazia. Pensando em um corpo depois de uma surra. Pensando em um corpo destituído de qualquer tipo de emoção. Pensando em um corpo onde ele próprio ou qualquer conteúdo faça pouco sentido. Para mim, isso é grave. Os sentimentos jamais, simplesmente se esvaem. Ou os sentimentos vão sendo pouco a pouco frustrados ou algum motivo mais abrupto ocorre para que de repente a sensação de vazio se instale. É um vazio desconfortável. Esquisito, não?! Mas é verdade. Talvez, fazendo outro tipo de comparação, poderia novamente tentar explicar, que seria como não ser reconhecida aos olhos de alguém que gostamos muito... Ou por está sendo confundida com outra pessoa ou estar sendo mau interpretada. É um desamparo. O corpo em sensação de abandono, de queda. Ser absorvida pelo infortúnio e desolamento. Durante todo o dia, fiquei entre uma coisa e outra que fazia, pensando sobre isso. E sem perceber, me ocupei de mim mais do que o habitual ou que pretendia. E tagarelando em silêncio cheguei a conclusões tão amargas quanto um café extremamente forte e sem açúcar... e aiiii, o pobre do café de novo... bora pensar que em algum momento alguém possa me trazer, de repente, uma broa das boas (boas emoções)...


Karinne Santiago

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