domingo, 9 de setembro de 2012

SÉRIE: A PALAVRA QUE ME CONSOME


III


a poesia:

ao dizer-lhe
não incito 
troféus
detenho-me
receosa
da vitrine
expondo-lhe
numa métrica
acadêmica
dar-me
a identidade
num livro.


o poeta:

tens razão(...)
assim
vingo-me
se me detém
em seus ímpetos
lhe aprisiono
em prateleiras
até que alguém
lhe dê voz
e amacie
suas curvas
verso por verso.



a poesia:

devo agradecer
a fragilidade
em brincar de Deus
quando
o teu nome
me empresta
da vaidade
que lhe assola
passo a chamar-me 
Fome
(...) a palavra que lhe consome.



Karinne Santiago

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