quinta-feira, 5 de julho de 2012

Mulher de Luas





Tinha cor de cereja nos lábios e hálito de estrelas
Cachos fartos em tom virgem das doces manhãs
Leve aroma outonal e olhos de riscos selvagens
Ardia nas noites cheias de lua em calores astrais
Andando nua nas pontas dos pés por toda casa

O dorso alvo invejava a brancura da luz noturna
Tremia pontualmente às seis adivinhando a rota
Os cetins descosturados jogados no assoalho frio
Eram indícios da dama atiçada que da sua sacada
Afrontava os passantes confundidos por amantes

As moçoilas da cidade praguejavam e eram invadidas
Pela curiosidade dos segredos das rendas e lençóis
Imaginavam levianos romances e libidinosas cortes
Aos homens restavam-lhe perfumes enlouquecidos
Como alucinação de finas mãos que os convidavam

A dama solitária de carnes fartas estremecia pálida
Andava de lá para cá como uma loba em pleno cio
Mordendo os lábios tentando conter tanta paixão
Mas era insaciável a saudade que não se desfazia
Do amor distante que sempre lhe devorava felina

Ele vinha deslumbrante com ares de maresia e céu
Pisava macio em quase passo de neblinas e poesias
Olhava sua dama além da alma e conduzia ao baile
Rodopiavam dentro dela desejos, segredos e buscas
Tanto que em cada beijo lhe entonteciam eclipses vis

Karinne Santiago




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