quarta-feira, 4 de julho de 2012

Antes que amanheça




Desconforto da rima é a ausência do seu toque
Percorro leiga cada espaço da pele dedilhada
Desnorteada entre cheiros e rubores aflitos
Tocando-me em acordes orquestrando sentidos
Ensaiando trajetos entre sussurros adormecidos

Anoiteço as juras condensadas entre meus lábios
Que abandono na fronha atormentada pelo silêncio
Invado nua a luz da lua que brilha sobre os lençóis
Pálida se torna a carne refeita da cor que me abre
O corpo perdoa a falta e sem protesto se rende

Prendo sua avidez a minha tão inconstante
Inverto as mãos em meu rosto num transe
A gula antecipa o convite como envelope aberto
E te refaço saudade e fantasia em boca carnuda
Tremo na despedida da sua sombra na parede

Karinne Santiago

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