quarta-feira, 20 de junho de 2012

Notas de Pã



Notas, notas, notas entre as folhas ecoam a flauta de Pã
Notas, notas, notas entontecem , inebriam, faíscam o ar
Bailam afrodites em gestos lançados e as saias enroscam
Rodopiam as mãos rodopiam em valsas rodopiam as mãos em valsas
Tal qual o dorso no encantamento do Fauno

Notas, notas, notas entre as folhas ecoam a flauta de Pã
Notas, notas, notas trincando os cascos insultando Hades
Desfaz o silêncio com as quebradiças folhas caídas e uivos entre os galhos
Rodopiam as rimas rodopiam as carnes rodopiam as rimas nas carnes
Enfeitiça em melodia o calor do ventre e faz sonhar as ninfas

Notas, notas, notas entre as folhas ecoam a flauta de Pã
Notas, notas, notas convergem à libido em loucas bocas dos deuses
Confundindo em sonhos clandestinos presos em verões
Rodopiam as ancas rodopiam versos rodopiam as ancas nos versos
Robusto orgulho em carnes macias liberta Koré entre ciclos da colheita
Pisoteia a beleza pela arrogância da sedução comedida

Notas, notas, notas entre as folhas ecoam a flauta de Pã
Notas, notas, notas em sobressalto neste canto e refaço
Revirar-te os quatros cantos corpo-alma-pensamento-gozo
Rodopiam marés rodopiam salivas rodopiam marés de salivas
Em som remove a censura e desfaz a culpa da maçã em prece muda
Tal qual a ira das sereias ao não conseguir do Ulisses o fascínio pagão.

Karinne Santiago

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