domingo, 15 de abril de 2012

Ondas em Mim





Cheiro de mar que me embriaga
Baile de águas dando voltas no cais
Estilhaços de poemas arremeçados
Sentimentos fincados na areia
Reclinam pingos revirando o sal
Mira fendas brandas desculpas
Invade  ancorados  medos
Maresias preenchem o desconhecido
O alvo é pedra inerte
Fitando mar em noites quentes
Arrebenta-se na praia mexendo búzios
Espalmadas mãos netunas abarcam
Lavando a conchas e escrevendo destinos
Penetra recantos obscuros e máscaras
Afoga seus sons e imita as gaivotas
Joga-se misturando saliva
Carícia lenta derramando-se
Em contornos moldando rimas
Convence- a criar húmus
Agasalhando-a em esperança viril
Ri em maré cheia das cócegas da lua
Antecipa e amontoa lembranças
Amor insólito dependente do anil
Agarra aos entreabertos da rocha
Toma-lhe como tua

Karinne Santiago