domingo, 1 de abril de 2012





As ruas tortas e desertas que carrego  
São labirintos de lembranças ruins
Lado mais amargo e devastado
Mãos nos bolsos em punho fechado
Cabeça pendente entre o escárnio e a dúvida
Eco do tiro, do grito, do pedido implorado
Sem ataques, rendida, amontoados de nãos
Fantasmas que custei reconhecer e negar
Causam medo e repulsa
Estremeço num arrepio dilacerante
Todas as gélidas águas onde me encharquei
Lágrimas
Passos solitários em chão de pedra
Marcam o compasso angustiante da fuga
Esconderam os mapas e esqueci os atalhos
O cabelo molhado na cara contra o vento
Navalha
Ressurgem tramas no peito
Corte em linha reta ou arame farpado
Salto para fim ao acaso precipício
Despenhadeiro de nevoeiro retira as imagens
Durante a queda todas as cenas banidas
Palavras incertas, sarcasmos, descrença
E o corpo baila em vazio suspenso
Nenhuma erva daninha para agarrar
Deixe-me cair como chuva
Suplico
Torrenciais de mim
Partir em cacos de luto ou dor
Deixe-me ruir...

Karinne Santiago