sexta-feira, 23 de março de 2012

O GRANDE CIRCO - PARTE II





De repente o tempo parou de girar suas sinas
Nuvens densas deram vez aos azuis e lilases
Entardecia antiga sinfonia dos astros e algo surgia
Vinha ao longe gente de pele de purpurina desavergonhados
Em caixotes, malas, baús carregavam a sorte e sonho
A mocinha em alfazema driblou o destino com largos suspiros
Comoveu-se com tudo que viu e imaginou encantada
Quem sabe o destino lhe reversava encontro desejado?!
De sua janela debruçou-se a olhar a trupe ou loucos ou semideuses
Porém, entre os passantes um olhar ligeiro inervou o sentimento
Tão desorientada quanto contente entendeu das harpas
O presságio do amor andarilho correspondente
Fez-se de laço e fita quem sabe o anzol preciso
Para ser fisgada sereia presa na corda bamba
Brinca a roda da vida na primeira fila
Olhos atentos, brilho inegável, tremores
Ofegante, ansiosa com cabelos presos por búzios
Retorcia as mãos saudosa daquele olhar
Reflexiva do mistério a desvendar...
E todos aqueles oriundos de um mundo místico
Eram também representações dos seus eus
Mas não suficiente para com apenas aquele gesto
Demonstrasse contente e escondesse entre os lábios
As palavras que do peito afloram quando o amado faz presente
E no fim de todos aqueles diálogos e risos e prantos
Na penumbra da arena em trajes de príncipe
Ou quem sabe marinheiro
És que surge intocável o anjo desvairado
Ao som do grilo e de seu coração
Apresenta-se poeta
Alarmando o término do espetáculo
Até que lança diante sua vaga expressão
Aquele anterior de passarinho
Em direção da moça estática em sua rede
E reconhece nela sua feição mais bonita
Lhe curva o tronco
Oferecendo novas temporadas
 Final feliz

Karinne Santiago