segunda-feira, 19 de março de 2012

EVA





Na ponta da sua língua
Meu desejo como um drops
Ferve em pausas ritmadas 
E sente a febre do corpo pulsar
Veneno na cauda do escorpião
Dissolve em saliva meus aromas
Mordiscando lábios levianos
Saúda a gula em boca desnuda
Escancarando o verbo comer
Em puro instinto perde o tino
Pondo-me como serpente
A bailar em seus suores
Pele molhada de diversas águas
 Espreita com mãos a vasculhar
 Presa quase a levitar
Em curvas sinuosas
Fazendo-me tonta
Conta a minha flor
Grandes e pequenas pétalas
Lilases e tons rosa
Cores na retina do caçador
E no fim
Duas bocas sôfregas e gélidas

Karinne Santiago


* Inspiração compartilhada com afeto. O poeta Land Nick comentou minha publicação com grande ternura e generosidade:

Náufraga canoa,
um dia encalhei na borda do teu corpo!
Com a boca quase morta...
e a língua sedenta,
me arrisquei andar na praia
do teu ventre!
Vislumbrei o trigal
do teu oásis e corri!
Na beira do teu riacho
matei minha sêde...e morri!

Land Nick-19/03/2012- Grupo Vidráguas

OBRIGADA!