quarta-feira, 28 de março de 2012

Mútuas Mutações






Lagarteia seu desejo ouriçando minha pele
Cabeça e cauda passeiam suas impressões
Em quase febre vasculha meus espaços
Lança sua língua ágil respirando aromas vitimas
Perde-se leviano arisco em nossos instintos

Pantariando observo retida em sua imagem
Em felinas presas e curvas de ancas me constituo
Diluída saliva que escorrego em você
Lenta atiço unhas e o cravar dos dentes
Reclino-me em deleite e atrevido me doma

Lobeia em uivos  versos numa lua grande
Com olhos de caça reveste-me manto de carícias
Escuro calor cão fera de poucos pudores
Passos curtos em volta da prenda
Demarca quatro cantos território

Serpenteio o ventre e de ti me aparto
Viscosa deslizo fôlego desfeito do cio
Enrosco-me selvagem e aperto suas carnes
Provoco sonhos de volúpia maçã
Desfaço culpas e me perco nua

Águiando instinto alavanca voo
Ressurge-me em risco alado
Desgoverna selvagem minhas vontades
E guia-me céus cintilantes
Desarrumando o ninho 

Noturnas temporadas de censuras vãs
Agito-me fêmea franca 
Rogo por sua figura macho
Acasalo fantasia
Até que nos desfazemos ao sol


Karinne Santiago