terça-feira, 8 de novembro de 2011

Novas datas








Punhado de água contida nas palmas das mãos
Submersas linhas em tramas traduzem o destino
Gotas dispersas seguem seu rumo ao vento
Esvaziam o tempo entre meus dedos
Outros nos braços escorrem vida
A rota diverge o habitual em exceção  
Respingando em meu vestido partidas e chegadas
E uma mancha se destaca do demais tecido
Logo atinge nova tonalidade e desvenda calafrios
A pele se recolhe como os lábios num beijo
Gelada água iguala censuras e decepções
Seguindo seu rumo em meu quadril
Recorda-me sussurros e promessas ritmadas
Que leve inundam desejos
Traçados reveladores
Deslizam coxas e pernas
E me falam dos caminhos
Das escolhas, tropeços e sobre o prosseguir
Nos pés notas prematuras translúcidas plagiando orvalho
Reflexos em arco-íris do ontem e futuros
Bailam novamente em dedos como raízes
Que de longe se configuraram firmes
Alvos e rosa, pequenos e quase cansados
Contam muito mais de onde vim.

Karinne Santiago