terça-feira, 18 de outubro de 2011

Bailarina em Caixinha de Música







De veludo negro é escuro o céu num macio estático
Sem ensaios ou orquestras em tampa aberta persuadir sentidos
Não fostes da maneira que quisera a rodopiar em notas
Negas o olhar perplexo a admirar-te bela, única e solitária
Baila candura a lamentar imperativos neste chão de vidro
Conduz sem atrito música repetida num reflexo cintilar
Os quais serão apenas por ti até quando de cordas precisar
Demi-plié
Tendu
Arabesque
Passé 

Esconde em sua fronte decotes imagens e feitiços
Lânguidas mãos alvas, pálida altivez, porcelana atemporal
Desconsidera em credos o verdadeiro amor por não saber entender
Numa aspiração de deusa, anjo, menina, fantasia ou lenda
Qualquer coisa que não se tenha,  que não se invente, mitológica
Intrigante figura de leveza inquestionável e beleza mística
Ponta dos pés a levitar no ar de profunda imaginação
Attitude
Pirueta
Sissone
En arrière

Cativeiro de sonhos e vastos pensamentos a exclamar
Por tamanha beleza em tule, cetim e seda
Enigmática expressão de vida ou morte ou o além que exista
Doce tangente do corpo no quase cair ao erudito
Até que se quebre de repente artigo íntimo e insolente
Que das mãos de uma criança se desfaz em aplausos
Até que se console em poeira seu último espetáculo
Balancé
Croisé
Deboulés
Plié

Karinne Santiago