segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Amante


A vaidade do amante repercute nos seus artífices para seduzir. O amante enaltece a amada no tempo que antecede seu próprio enaltecimento. O corpo da amada é reflexo de sua audácia e aventura desmedida. O amante é um animal feroz contido em passos cadenciados em torno da sua presa. Sabe que cada gesto possui um simbolismo omitido. A maior graça do amante é observar a amada em silencio resguardado como segredo que aos poucos vão deixando rastro de suas andanças entre lençóis. Convida a noite como testemunha. Apresenta estrelas que entontecem e misturam-se com o brilho do olhar do amado. Um olhar alcoviteiro e insaciado de um suspiro inacabado para transcorrer como sonho as noites em claro. Tendenciosa é a vaidade do amante que perspicaz encontra no tempo, espaço de revigorante vontade. Mescla de urgências e torpor. De uma saudade que quase beira o egoísmo. O amante percebe-se mesquinho ao saber conduzir seu sorriso, corpo e palavras como maître a um banquete e muito sabe que desse deleite é náufrago temporário. Retifica seus instintos como poesia. Rebusca de magia as fantasias. Determina o gozo em seu esplendor. A vaidade do amante é na lógica perfeita de sua pulsão. É a libido governante. O discurso inebriante em seus lábios de um amor demasiadamente esperado. O sentimento refinado. O encontro inevitável. O gozo escancarado e perplexo. A vaidade do amante é um paradoxo ou um grande engano que sua mente desfaz diante do belo. Para o amante a carne é hilariante. O temor é aspecto ligeiro. É o retorno perfeito do que sempre soube ofertar fazendo entender simplório. Testemunha exata de um sentimento de tresloucada carência...

Karinne Santiago