quinta-feira, 14 de julho de 2011

DESVENDA-ME


Desvenda-me

Cerra-me os olhos com as palmas das suas mãos morenas. Aqueça-me em seu calor perturbador dos meus sonhos. Sinta-me frágil, adocicada e viva. Na contagiante euforia da entrega. Percorra-me minuciosamente em silêncio ofegante. Busque-me selvagem e indecente. Conforta-me nociva e aparente. Proteja-me da ira e da inveja da nossa nudez. Encare-me em ousadia generosa. Desperte-me pulsões sem gentilezas. Morda-me voraz e loucamente. Arranque-me vestes, receios, dores e sussurros.

Desvenda-me

Aperte-me contra seu corpo moreno, seus pêlos negros e de tons cinza. Entrega-me a mulher que ofusquei. E o tempo contribuiu algoz dos meus planos. Transporte-me elegantemente nesta dança a sós. Construa-me anjo ou meretriz. Disfarça-me da injúria imprudente de um coração ausente. Perdoa-me as fantasias desfeitas. Silencia-me fantasmas e prantos. Reconduza-me suave e em falsa inocência. Perturba-me desta quietude certa. Rouba-me para tudo que sempre na distância fomos e que de perto se limitou melindrosa vontade do acerto.

Karinne Santiago

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